quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Um nó no Sertão
Part II - um momento: duas solidões
Thiago A. Sarmento
04/12/2013
é quando se abstém de poeira o ar
que não consigo ver as faces perdidas
nesse alagamento constante do ser
ser meu próprio querer: rasgando as tripas do sol
deixando derramar pequenas gotas de esperança
inté mais ver, outro dia quem sabe a encontremos
encontramos: olhem, olhem, quem é ela?
a felicidade, que se perdeu caatinga acima
logo abaixo de nossos desejos, os passos
guiando sem dizer, a mente explicando
o coração apertando, nessa terra que canta
abaixo do céu do chão, milhões de outros
arrebóis, em que a alma sai pra passear
sob a fornalha de cada dia um homem caminha
lábios sedentos, mãos manchadas de cansaço
e sob a mesma fornalha, abaixo de um teto
seu leito o espera, suas paredes guardam-lhe
chega, janta, já não diz que ama algo
adormece, morre novamente, na mesma solidão
a mulher ao lado também morre na mesma solidão
é tão difícil sentir? não, na terra de João
busca se o pão, acostumou-se assim
amar é ilusão e não põe na mesa: pão!
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Lembrando-me da dura realidade já passada pelo meu avô paterno, que trouxe sua família para cá,fugindo da fome!
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