domingo, 23 de fevereiro de 2014

Soneto I

Francisco Dutra


São Luís/MA, 23/02/2014


Eu te envio palavras devolutas
Minhas letras vazias e insipientes
Num insosso vaso de requintes
Regado a roxas flores mortas.

Eu te remeto o volátil sentimento
Num envelope cinzelado e cuspido
Amarrado ao obtuso espanto dourado
A que penduro meu partido encanto.

Agarre-os, são teus.
Receba com tuas mãos galantes
As cinzas vivas dos mortos instantes.

Simplesmente, veja o tudo e o nada
Numa carruagem discreta e constante
Que caminha rumo ao ruído monte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário